quarta-feira, 27 de março de 2019

Última Música do Guerreiro


  Olha só para você. Sozinho a me dizer. Que eu não irei conseguir. Você seu desgraçado. Seu faminto, amedrontado. É o que eu tento me convencer.
  Finalmente estou aqui. Para poder te vir. Carregando o seu machado. Em vejo em seus olhos. Nos belíssimos olhos. A morte caminha a seu lado.
  O seu e o meu destino. São uma coisa só. O que perigo que eu sinto. Não é nada demais. Pois o mundo aqui. Não será o mesmo. Quando um de nós cair.
  Pois agora eu estou sentindo a vida. Neste momento, mesmo aquela minúscula ferida.
  Você é meu medo. Meu belíssimo medo. A morte e o demônio assombrado. Está em seus cabelos.          Nesses belos fios loiros. Em que repousam a esperança. Talvez não a minha. E nem mesmo a sua. Mas daqueles que assistem ao combate.
  Pois nesta última luta. O final de nossa labuta. O sorriso do mal amado. E mesmo na chuva. No sorriso da puta. Isso irá acabar para um lado.
  Com as armas vibrando. A luz se acabando. O machucado finado. Esta será a última vez. Eu digo pra vocês. Que ouvirão minha canção. As minhas armas. Minhas belíssimas armas. Irão repousar ao meu lado.
  Pois percebo agora. Mesmo que o derrote na hora. Pra vocês irá continuar.
  Então eu me despeço. Me ajoelho enquanto me despedaço. Aceito a morte enquanto sai.
  Olho em seu sorriso. Seu maldito e último sumiço. Olho pra baixo e o sangue sai…
De Erick, o Pagão

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