Aviso: Este texto que não é um conto ou poema, mas um artigo de opinião.
Meu nome é Igor, sou um estudante de
filosofia do 3º ano na
puc campinas. Atualmente refazendo matérias. Escrevo aqui
primeiramente em meu nome, e em segundo escrevo pelo que vejo em meu
país. Uma coisa para mim estranha de dizer, é o fato de que hoje
meu país está em guerra. Não uma guerra armada, uma guerra de
sangue ou mesmo uma guerra de violência, mas sim uma guerra de
ideias. Uma guerra de ideais. Escrevo isso em uma tarde deste dia 15
de maio de 2019 para falar sobre o que vejo e o penso de como nós
brasileiros estamos. É um texto pessoal, de opinião, e se você não
gosta de opiniões contrárias as suas, sugiro que leia o que tenho a
dizer mesmo assim. Vamos lá.
Nesse
momento muitos brasileiros estudantes e professores estão com raiva.
Muita raiva. Alguns apenas indignados, outros decepcionados, mas
todos com raiva. Raiva de tudo o que estamos fazendo por nós mesmos.
Existem aqueles que em ordem de “salvar o país” estão o
destruindo e o matando cada vez mais. Cortes financeiros estão sendo
feitos em ordem de melhorar a santa economia, a maior de todas as bem
feitorias nessa nação. Ou é o que eles dizem. Mas eu me pergunto,
como que salvar a nação significa o mesmo que matar o nosso futuro?
Crianças sem estudo, um país sem professores, sem escolas e com
cada vez menos universidades e oportunidades pras pessoas.
Um
fato inegável é que os pobres são sempre pobres e os ricos são
sempre ricos. Não porque os pobres queiram ser pobres, mas sim
porque os ricos não querem deixar de ser menos ricos. Houve um tempo
em que foi dito que a universidade é para todos e eu acreditei
fielmente nisso. Ainda acredito, mesmo que com o tempo tenha começado
a ver como o cinismo é forte nessa frase dependendo de quem o fala.
Eu sou Igor, um cara de 23 anos, bolsista em uma universidade que não
é nem um pouco publica, estudando ali apenas porque tive uma
oportunidade pelo Prouni e pelo Enem. Meus pais não tinham essa
mesma oportunidade na época deles. E mesmo sendo bolsista o que
escolho fazer? Filosofia. Um curso que dificilmente me trará um
retorno financeiro tão bom quanto uma engenharia ou uma medicina
poderia dar. Não escolhi esse curso pois precisava de grana, o
escolhi pois é o que amo fazer. Não é isso que uma democracia
deveria significar, ter liberdade para fazer o que quero, seguir os
meus sonhos? E ainda assim, desde que entrei na universidade, só
pude perceber cada vez mais o abismo que existe na sociedade.
Como
disse antes, não sou um pagante na universidade não publica que
estudo, mas um bolsista. Não vou mentir e dizer que sou mais um
pobre fodido que não tem o que comer e nem onde viver. Mas também
NÃO SOU alguém cujo pai pode pagar para eu estudar em uma
universidade boa como a que estou agora, ou mesmo mudar de cidade, ou
tentar algo no exterior. Simplesmente não dá! Se eu vivo
minimamente uma vida digna hoje é devido a meus pais que se foderam
muito enquanto cresciam porque se esforçaram e lutaram por uma vida
melhor do que a que eles tinham na infância. Crescer com vários
irmãos, sem dinheiro pra nada, tendo que dividir o pouco quase nada
que tinham. É desesperador pensar em como eles viveram. Sou um
privilegiado nesse sentido. Graças a eles, que tenho o que tenho
hoje. E ainda assim, existem milhares de pessoas hoje que dizem que
os professores são inimigos, que o ensino é algo doutrinador e que
as universidades são apenas “ambientes de drogas e putaria”. VÃO
SE FODER essas pessoas, é o que tenho a dizer.
Eu
já vi gente na universidade (nessa minha bela universidade não
pública) sofrendo pois tinham que pagar as contas no fim do mês e
não sabiam se conseguiriam. Já vi gente tendo que vender doces e
salgados de sala em sala para conseguir uma graninha extra para
sobreviver, pura e simplesmente. Uma das melhores pessoas que
conheço, um homem de trinta e poucos anos, com dois filhos, e um
salário não muito alto, conseguiu através de uma bolsa uma vaga na
faculdade e estudou comigo por cerca de um ano. Ele estava lá pois
era o sonho de uma vida estar formado. E eu vi após esse um ano, ele
se ver obrigado a sair pois não conseguia conviver com uma rotina de
trabalho, estudos e cuidar dos filhos, tudo ao mesmo tempo. Estava o
tempo todo arrasado e cansado pois não conseguia lidar. Ele é um,
mas existem vários outros na mesma situação. Como um homem que
veio do estado de Minas Gerais para a cidade de Campinas em busca de
um futuro melhor que não fosse trabalhar em uma fábrica pro resto
da vida. O mesmo homem que veio praticamente sem dinheiro para cá e
sem lugar pra morar. E dezenas de outras pessoas que lutaram para
estar aqui, se desgastam, desenvolvem depressão, ansiedade, medos e
terrores pois não sabem como será o dia de amanha!
Eu
mesmo (falando particularmente) já tive ataques de pânico,
ansiedade, insônia, apenas porque não sabia se conseguiria lidar
com o dia de amanhã. E eu sou um privilegiado comparado com os
outros que citei, pois embora leve duas horas de ônibus até o curso
que amo, eu ainda moro na mesma cidade onde estudo, tenho uma cama e
comida boa todos os dias, e não preciso me preocupar com se meus
filhos terão o que comer amanhã, como muitos ainda fazem todos os
dias.
E
existem aqueles que querem acabar com as oportunidades que eu tive.
Quero
que meus filhos um dia tenham condições de serem melhores do que eu
e que também façam aquilo que amam em suas vidas. Pois tudo o que
sou e tenho agradeço a meus pais, tanto pelo esforço gigantesco que
fizeram até hoje, quanto pelas oportunidades que conseguiram.
Quero
um estudo possível, para todos.
Igor
Mota