O menino na rua só queria ser pintor.
Olhava as ruas e as pessoas
Via a beleza onde ninguém mais via
Pobre menino abandonado.
Quando adulto teve de pegar em armas
Proteger pessoas que ele nem gostava
E nunca tinha visto
O menino só queria ser pintor
Com seus dedos gordinhos
Roubava a guache que lhe de sua escola
Pintava as paredes de casa,
Onde poderiam haver mundos e histórias
Histórias que nunca estiveram
Nas paredes amareladas e brancas
Mas já quando feito homem
Atirou no peito de uma pessoa que nunca viu
Foi condecorado
Amado
E todos o aplaudiram por isso
O menino abandonado só queria ser pintor
Quando viu aquela menina
Dos olhos castanhos escuros
Tão escuros
Fez um lindo desenho com giz de cera
Um desenho mostrando a mais linda flor do mundo
Dado a menina mais linda do mundo.
Pobre menino pintor, só queria ser homem.
E quando homem teve que lutar
Lutar pois já não podia mais pintar
Ninguém precisa de um pintor
Mas todo mundo parece precisar
Precisar de um homem armado
E lá o menino foi
Nunca mais artista
Agora só soldado
Pobre menino
Só queria ser pintor
Escritos de Mota, o Louco as Vezes
Um blog com o intuito de escrever pura e simplesmente. Onde mostro minhas idéias, personagens que ja criei, mundos que já vi, poemas que não gosto mas que escrevi mesmo assim... Em resumo, textos feitos pelo Igor Mota, esse projeto de escritor
segunda-feira, 12 de agosto de 2019
quinta-feira, 23 de maio de 2019
Trilhos de Ferro e Flores
Nas ferrovias de Quebec, um homem caminhava com um ar triste e de certa forma solene. Suas roupas eram simples e também desgastadas pelo tempo. Ele parecia não ter muito dinheiro, ou ao menos não se importar tanto com sua própria aparência. Em suas costas levava consigo uma grande mochila de viagens, daquelas de formato longo e meio cilíndrico, de cor verde limo, gasta e que ficava dependurada em seu ombro na diagonal. Parecia ser bem pesada, devido ao aparente esforço dele de carregá-la e pelo fato de que enquanto caminhava acabava por ficar levemente corcunda. Era um homem novo, de não mais que vinte, vinte e cinco anos.
Ao seu redor, erguia-se um panorama lindo, cheio de árvores altas e floridas, algumas até mesmo com pequenos frutos verdes e vermelhos. E exatamente atrás dele se punha um sol belo, daqueles nos quais os poetas sonham em ver se por para poderem terem o mínimo de inspiração. Um sol lindo alaranjado, que iluminava os céus ao seu redor (enquanto ainda possuía forças para tanto) antes de se por. E na sua frente, bem na linha do horizonte, o céu se escurecia em um azul quase preto, sinal de que a noite vinha logo a sua frente marcando o seu caminho. E a tudo isso ele via sem parecer muito se importar. Ele sentia cansaço, fome e sede. Coisas que infelizmente fazem você esquecer um pouco de admirar o que acontece ao seu redor. Dadivas lhe eram entregues e ele mesmo não conseguia mais as enxergar.
Enquanto caminhava, o jovem homem não ligava muito para comida, sol, céu, beleza ou seu cansaço. Mas ligava e muito para agua. Pois dela, era aquilo que sentia mais falta. Mas mesmo isso, não era aquilo em que ele pensava. E ele não diria a ninguém, nem mesmo a essas palavras aqui escritas, o que ele pensava. Pois quando se é alguém que viaja sozinho a muito tempo, se aprende que certas coisas são valiosas demais para ficar se desperdiçando. Para esse homem eram seus pensamentos e memórias seus maiores tesouros.
E como ele não diria a ninguém (nem a quem escreve essas palavras) seus segredos, infelizmente a descrição desse estranho jovem homem ficará incompleta por aqui. É uma pena, mas certas coisas simplesmente são assim.
Enquanto caminhava para seu destino ainda não revelado, de olhar cabisbaixo, com fome, sede, e cansaço, ele acabou por avistar um pequeno brilho ao lado da ferrovia, vários metros a sua frente. Visível apenas por causa do reflexo gerado no objeto pelo sol naquela exata posição e naquele exato horário em que havia alguém para avistá-lo. O homem teve um forte sobressalto, e apesar de seus pesares, correu aqueles metros de distância entre ele e seja lá o que fosse que tivesse visto. Enquanto chegava perto, com suas mãos lisas e pequenas tirou a mochila cilíndrica de suas costas e a soltou no chão, em meio a terra e frutas caídas. Com mais dois passos, caiu de joelhos no chão, sujando sua calça jeans puída. E com seus olhos castanhos escuros avistou o que queria em meio a grama úmida. Cavou, pois o que queria parecia estar parte enterrado em meio a terra. Com seus braços ergueu o revólver.
Um revólver velho, de uma marca que não mais era feita, com tambores vazios e de um metal enferrujado. Com um sorriso grande no rosto, ele soube que havia chegado onde queria.
Ao seu redor, erguia-se um panorama lindo, cheio de árvores altas e floridas, algumas até mesmo com pequenos frutos verdes e vermelhos. E exatamente atrás dele se punha um sol belo, daqueles nos quais os poetas sonham em ver se por para poderem terem o mínimo de inspiração. Um sol lindo alaranjado, que iluminava os céus ao seu redor (enquanto ainda possuía forças para tanto) antes de se por. E na sua frente, bem na linha do horizonte, o céu se escurecia em um azul quase preto, sinal de que a noite vinha logo a sua frente marcando o seu caminho. E a tudo isso ele via sem parecer muito se importar. Ele sentia cansaço, fome e sede. Coisas que infelizmente fazem você esquecer um pouco de admirar o que acontece ao seu redor. Dadivas lhe eram entregues e ele mesmo não conseguia mais as enxergar.
Enquanto caminhava, o jovem homem não ligava muito para comida, sol, céu, beleza ou seu cansaço. Mas ligava e muito para agua. Pois dela, era aquilo que sentia mais falta. Mas mesmo isso, não era aquilo em que ele pensava. E ele não diria a ninguém, nem mesmo a essas palavras aqui escritas, o que ele pensava. Pois quando se é alguém que viaja sozinho a muito tempo, se aprende que certas coisas são valiosas demais para ficar se desperdiçando. Para esse homem eram seus pensamentos e memórias seus maiores tesouros.
E como ele não diria a ninguém (nem a quem escreve essas palavras) seus segredos, infelizmente a descrição desse estranho jovem homem ficará incompleta por aqui. É uma pena, mas certas coisas simplesmente são assim.
Enquanto caminhava para seu destino ainda não revelado, de olhar cabisbaixo, com fome, sede, e cansaço, ele acabou por avistar um pequeno brilho ao lado da ferrovia, vários metros a sua frente. Visível apenas por causa do reflexo gerado no objeto pelo sol naquela exata posição e naquele exato horário em que havia alguém para avistá-lo. O homem teve um forte sobressalto, e apesar de seus pesares, correu aqueles metros de distância entre ele e seja lá o que fosse que tivesse visto. Enquanto chegava perto, com suas mãos lisas e pequenas tirou a mochila cilíndrica de suas costas e a soltou no chão, em meio a terra e frutas caídas. Com mais dois passos, caiu de joelhos no chão, sujando sua calça jeans puída. E com seus olhos castanhos escuros avistou o que queria em meio a grama úmida. Cavou, pois o que queria parecia estar parte enterrado em meio a terra. Com seus braços ergueu o revólver.
Um revólver velho, de uma marca que não mais era feita, com tambores vazios e de um metal enferrujado. Com um sorriso grande no rosto, ele soube que havia chegado onde queria.
Sobre o Bem e o Mal
Nem sempre somos pessoas agradáveis. E por nem sempre, posso
dizer que é quase sempre. Sempre haverá aqueles que estarão sem paciência,
aqueles que são incapazes de dar carinho a estranhos. Pois o mundo é isso. É
uma grande confusão, na qual metade do tempo não sabemos o que estamos fazendo.
Um bagulho louco, onde as pessoas mais amáveis são sempre capazes dos piores
atos. O que por um certo ponto de vista é até bom. Pois nessa aleatoriedade
estranha de coisas ruins, as coisas boas também podem estar escondidas. Mesmo o
pior dos homens pode em algum momento ajudar uma criança pobre na rua, consolar
alguém que sofreu uma perda e ainda, salvar a vida daqueles que são inimigos.
Pois o mundo é uma coisa estranha.
Fico imaginando todos os monstros queridos que devem ter
nascido na terra. Ou toda as freiras, mulheres de Deus, que odeiam crianças e
são incapazes de um ato genuíno de empatia no mundo. Aquelas pobres crianças
que apanham dos pais, que sofrem, passam fome, sede e ódio. Um dia serão elas “gente
de bem”? É um sonho bobo meu, pensar nessas coisas. Um sonho infantil...
Mas e quantas devem ser as crianças criadas por dois pais
gentis e amorosos, crianças com dinheiro, casa e todo o amor que a vida pode
lhes dar? Quantas dessas devem amar a dor e a agonia de ver um filhote sofrer
em suas mãos? Afirmo com certeza, será um número muito maior do que os pais e
mães amorosos poderiam imaginar. Pois o mundo é isso. Uma confusão de paz,
amor, guerra e ódio girando loucamente em uma gigantesca esfera azul. O ciclo
de amor e ódio é maior do que as pessoas devem imaginar.
É um mundo louco, e coisas loucas acontecem o tempo todo.
Alguns veem alienígenas em todo lugar, e outros veem Jesus, mas dá no mesmo no
fim. As melhores pessoas sempre serão responsáveis por alguns dos piores atos
da humanidade e algumas das pessoas mais terríveis e malignas que já caminharam,
podem um dia executar os atos mais bondosos.
quarta-feira, 15 de maio de 2019
Carta de um Estudante
Aviso: Este texto que não é um conto ou poema, mas um artigo de opinião.
Meu nome é Igor, sou um estudante de filosofia do 3º ano na puc campinas. Atualmente refazendo matérias. Escrevo aqui primeiramente em meu nome, e em segundo escrevo pelo que vejo em meu país. Uma coisa para mim estranha de dizer, é o fato de que hoje meu país está em guerra. Não uma guerra armada, uma guerra de sangue ou mesmo uma guerra de violência, mas sim uma guerra de ideias. Uma guerra de ideais. Escrevo isso em uma tarde deste dia 15 de maio de 2019 para falar sobre o que vejo e o penso de como nós brasileiros estamos. É um texto pessoal, de opinião, e se você não gosta de opiniões contrárias as suas, sugiro que leia o que tenho a dizer mesmo assim. Vamos lá.
Meu nome é Igor, sou um estudante de filosofia do 3º ano na puc campinas. Atualmente refazendo matérias. Escrevo aqui primeiramente em meu nome, e em segundo escrevo pelo que vejo em meu país. Uma coisa para mim estranha de dizer, é o fato de que hoje meu país está em guerra. Não uma guerra armada, uma guerra de sangue ou mesmo uma guerra de violência, mas sim uma guerra de ideias. Uma guerra de ideais. Escrevo isso em uma tarde deste dia 15 de maio de 2019 para falar sobre o que vejo e o penso de como nós brasileiros estamos. É um texto pessoal, de opinião, e se você não gosta de opiniões contrárias as suas, sugiro que leia o que tenho a dizer mesmo assim. Vamos lá.
Nesse
momento muitos brasileiros estudantes e professores estão com raiva.
Muita raiva. Alguns apenas indignados, outros decepcionados, mas
todos com raiva. Raiva de tudo o que estamos fazendo por nós mesmos.
Existem aqueles que em ordem de “salvar o país” estão o
destruindo e o matando cada vez mais. Cortes financeiros estão sendo
feitos em ordem de melhorar a santa economia, a maior de todas as bem
feitorias nessa nação. Ou é o que eles dizem. Mas eu me pergunto,
como que salvar a nação significa o mesmo que matar o nosso futuro?
Crianças sem estudo, um país sem professores, sem escolas e com
cada vez menos universidades e oportunidades pras pessoas.
Um
fato inegável é que os pobres são sempre pobres e os ricos são
sempre ricos. Não porque os pobres queiram ser pobres, mas sim
porque os ricos não querem deixar de ser menos ricos. Houve um tempo
em que foi dito que a universidade é para todos e eu acreditei
fielmente nisso. Ainda acredito, mesmo que com o tempo tenha começado
a ver como o cinismo é forte nessa frase dependendo de quem o fala.
Eu sou Igor, um cara de 23 anos, bolsista em uma universidade que não
é nem um pouco publica, estudando ali apenas porque tive uma
oportunidade pelo Prouni e pelo Enem. Meus pais não tinham essa
mesma oportunidade na época deles. E mesmo sendo bolsista o que
escolho fazer? Filosofia. Um curso que dificilmente me trará um
retorno financeiro tão bom quanto uma engenharia ou uma medicina
poderia dar. Não escolhi esse curso pois precisava de grana, o
escolhi pois é o que amo fazer. Não é isso que uma democracia
deveria significar, ter liberdade para fazer o que quero, seguir os
meus sonhos? E ainda assim, desde que entrei na universidade, só
pude perceber cada vez mais o abismo que existe na sociedade.
Como
disse antes, não sou um pagante na universidade não publica que
estudo, mas um bolsista. Não vou mentir e dizer que sou mais um
pobre fodido que não tem o que comer e nem onde viver. Mas também
NÃO SOU alguém cujo pai pode pagar para eu estudar em uma
universidade boa como a que estou agora, ou mesmo mudar de cidade, ou
tentar algo no exterior. Simplesmente não dá! Se eu vivo
minimamente uma vida digna hoje é devido a meus pais que se foderam
muito enquanto cresciam porque se esforçaram e lutaram por uma vida
melhor do que a que eles tinham na infância. Crescer com vários
irmãos, sem dinheiro pra nada, tendo que dividir o pouco quase nada
que tinham. É desesperador pensar em como eles viveram. Sou um
privilegiado nesse sentido. Graças a eles, que tenho o que tenho
hoje. E ainda assim, existem milhares de pessoas hoje que dizem que
os professores são inimigos, que o ensino é algo doutrinador e que
as universidades são apenas “ambientes de drogas e putaria”. VÃO
SE FODER essas pessoas, é o que tenho a dizer.
Eu
já vi gente na universidade (nessa minha bela universidade não
pública) sofrendo pois tinham que pagar as contas no fim do mês e
não sabiam se conseguiriam. Já vi gente tendo que vender doces e
salgados de sala em sala para conseguir uma graninha extra para
sobreviver, pura e simplesmente. Uma das melhores pessoas que
conheço, um homem de trinta e poucos anos, com dois filhos, e um
salário não muito alto, conseguiu através de uma bolsa uma vaga na
faculdade e estudou comigo por cerca de um ano. Ele estava lá pois
era o sonho de uma vida estar formado. E eu vi após esse um ano, ele
se ver obrigado a sair pois não conseguia conviver com uma rotina de
trabalho, estudos e cuidar dos filhos, tudo ao mesmo tempo. Estava o
tempo todo arrasado e cansado pois não conseguia lidar. Ele é um,
mas existem vários outros na mesma situação. Como um homem que
veio do estado de Minas Gerais para a cidade de Campinas em busca de
um futuro melhor que não fosse trabalhar em uma fábrica pro resto
da vida. O mesmo homem que veio praticamente sem dinheiro para cá e
sem lugar pra morar. E dezenas de outras pessoas que lutaram para
estar aqui, se desgastam, desenvolvem depressão, ansiedade, medos e
terrores pois não sabem como será o dia de amanha!
Eu
mesmo (falando particularmente) já tive ataques de pânico,
ansiedade, insônia, apenas porque não sabia se conseguiria lidar
com o dia de amanhã. E eu sou um privilegiado comparado com os
outros que citei, pois embora leve duas horas de ônibus até o curso
que amo, eu ainda moro na mesma cidade onde estudo, tenho uma cama e
comida boa todos os dias, e não preciso me preocupar com se meus
filhos terão o que comer amanhã, como muitos ainda fazem todos os
dias.
E
existem aqueles que querem acabar com as oportunidades que eu tive.
Quero
que meus filhos um dia tenham condições de serem melhores do que eu
e que também façam aquilo que amam em suas vidas. Pois tudo o que
sou e tenho agradeço a meus pais, tanto pelo esforço gigantesco que
fizeram até hoje, quanto pelas oportunidades que conseguiram.
Quero
um estudo possível, para todos.
Igor
Mota
quarta-feira, 3 de abril de 2019
Inicio de Parte de Tudo
Havia um tempo em que nenhum homem conhecia o medo. Um tempo alegre até. O Sol brilhava imenso no céu e os deuses ainda não tinham pensado na noite como uma possibilidade. Era tudo bom e mesmo o mais pobre de alma e tolo ser não conseguia ser vil ainda. Eram tempos bons, embora ninguém soubesse disso naquela época.
Claro, essas coisas nunca duram.
Surgiu então um homem que não estava lá antes. Seu nome não é contado pela história, e aqueles que o conheceram trataram de nunca falar sobre isso para mais ninguém. Mas no mundo se sabe que ele foi o responsável por ser o Pai do Medo. Pois este homem possuía um único e raro talento. Ele era um dos melhores contadores de história da origem do mundo. E em um tempo onde falar e pensar era também uma forma de criar, seus talentos eram muito perigosos. O que, infelizmente para o mundo nesses tempos, era algo que ninguém ainda sabia.
Inicialmente todos ficaram maravilhados com o que ele sabia fazer. Ele pegava a alegria e boas emoções de todos e transformava em algo... Algo novo! Falava de terras fora da perfeição que era onde eles viviam. Terras onde não nasciam todas as plantas em cada canto. Terras onde os animais não eram tão amigos, onde um homem se não se cuidasse poderia até mesmo "se quebrar". Contos e histórias tão distantes de seu mundo.
Foi quando o medo nasceu. Pois as pessoas que ouviam suas histórias começaram a mudar como pensavam. Não dormiam mais tão tranquilas a noite como dormiam antes. E ao não dormirem, viram pela primeira vez que havia momentos em que não havia o que se ver. Em uma parte do tão maravilhosos dia, com o Sol que brilhava imenso no céu e com os deuses tendo criado um momento sem calor e sem luz. Em horas em que os pobres humanos começarem a parar de olhar só para dentro e finalmente verem o lado de fora, de onde o Pai do Medo dizia que havia vindo. Perceberam os sons de animais maiores e ferozes que não pareciam querer apenas acompanhar seus amigos humanos.
Nessa época o mundo ficou mais escuro pela própria desgraça humana. E o Pai do Medo, embora não tenha sido o primeiro homem a ser assassinado naquele tempo, talvez tenha se tornado entre aqueles que o agrediram ferozmente, o mais odiado. Pois não há um monstro que não se recorde dele quando come. Não existe nenhum assassino que quando mate não esteja fazendo secretamente um sacrifício em seu nome. Não há lagrima que não seja derramada por culpa de suas palavras e nem grito desferido no vazio que não possua a sua voz.
Tudo, porquê em uma época de começos, um homem solitário tenha ousado começar a criar suas próprias histórias.
Igor Mota
Claro, essas coisas nunca duram.
Surgiu então um homem que não estava lá antes. Seu nome não é contado pela história, e aqueles que o conheceram trataram de nunca falar sobre isso para mais ninguém. Mas no mundo se sabe que ele foi o responsável por ser o Pai do Medo. Pois este homem possuía um único e raro talento. Ele era um dos melhores contadores de história da origem do mundo. E em um tempo onde falar e pensar era também uma forma de criar, seus talentos eram muito perigosos. O que, infelizmente para o mundo nesses tempos, era algo que ninguém ainda sabia.
Inicialmente todos ficaram maravilhados com o que ele sabia fazer. Ele pegava a alegria e boas emoções de todos e transformava em algo... Algo novo! Falava de terras fora da perfeição que era onde eles viviam. Terras onde não nasciam todas as plantas em cada canto. Terras onde os animais não eram tão amigos, onde um homem se não se cuidasse poderia até mesmo "se quebrar". Contos e histórias tão distantes de seu mundo.
Foi quando o medo nasceu. Pois as pessoas que ouviam suas histórias começaram a mudar como pensavam. Não dormiam mais tão tranquilas a noite como dormiam antes. E ao não dormirem, viram pela primeira vez que havia momentos em que não havia o que se ver. Em uma parte do tão maravilhosos dia, com o Sol que brilhava imenso no céu e com os deuses tendo criado um momento sem calor e sem luz. Em horas em que os pobres humanos começarem a parar de olhar só para dentro e finalmente verem o lado de fora, de onde o Pai do Medo dizia que havia vindo. Perceberam os sons de animais maiores e ferozes que não pareciam querer apenas acompanhar seus amigos humanos.
Nessa época o mundo ficou mais escuro pela própria desgraça humana. E o Pai do Medo, embora não tenha sido o primeiro homem a ser assassinado naquele tempo, talvez tenha se tornado entre aqueles que o agrediram ferozmente, o mais odiado. Pois não há um monstro que não se recorde dele quando come. Não existe nenhum assassino que quando mate não esteja fazendo secretamente um sacrifício em seu nome. Não há lagrima que não seja derramada por culpa de suas palavras e nem grito desferido no vazio que não possua a sua voz.
Tudo, porquê em uma época de começos, um homem solitário tenha ousado começar a criar suas próprias histórias.
Igor Mota
terça-feira, 2 de abril de 2019
Triste Sina do Pistoleiro
Havia um homem conhecido por ser um assassino
E um pistoleiro
Seu esforço em matar seu alvo era feroz
E sua mira, nada menos do que impecável.
Ele atirava sem mirar,
Acertava sem tentar,
Matava sem chorar.
Pistoleiro ele era e jamais iria por isso se perdoar.
Não importava onde estivesse,
Não importava o que houvesse
Seu único impeto era matar.
Igor Mota
quinta-feira, 28 de março de 2019
Criança na Rua
Havia um garotinho no meio da autoestrada. Ele via os carros, motos e caminhões passarem, mas ele nem ligava. Cada hora um diferente. Um carro vermelho, uma moto preta e mesmo um estranho caminhão roxo. Mas ele não se importava. Havia, ele dizia, muito mais ali para se olhar. Como o chão preto cinzento, ou mesmo o vento a soprar. Só a isso ele dizia ligar.
Em algum momento, um adulto ousou ficar próximo. O menino, indignado com essa ação, rapidamente se afastou. O adulto, novamente se aproximou.
-Mas o que é isso?- Indagou a criança. - Quem é você que esta ai a chegar?
-Sou um adulto responsável - respondeu o adulto - e vim te tirar daqui. É perigoso ficar no meio da estrada.
-Eu não me importo - respondeu a criança. - Aqui é meu lugar e daqui não irei me afastar.
-SAIA DAI - o adulto respondeu. - É perigoso para você. Diabos! Perigoso para qualquer um.
- Eu não ligo - disse a criança. - Aqui é meu lugar, daqui não pretendo me afastar. Daqui eu vejo o sol, vejo o mar. Quem é você para se importar? Só vê papeis e contas para pagar. Daqui eu não saio, farei daqui, o meu lar.
- Me escute aqui - disse o adulto em roupa azul. - É perigoso vagar a toa por ai. Não vê os carros desviando de você? Só quero o seu bem.
- Mentiras deslavadas, mentirosas e inacabadas. Só quer cortar o meu bem, as minhas asas! É a vida que quero, não ao lado de você e outras pessoas chatas.
-Ah, to de saco cheio, vamos do jeito mais fácil então, ninguém vai ver mesmo e resolvo meu trabalho - o homem em azul, pegou seu distintivo e sua arma e aqui acabou, pois ele sabia que sem câmeras nada aconteceria.
E de fato ninguém pareceu se importar. O louco com alma de criança no meio da autoestrada, pode finalmente fugir e descansar.
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