Ao seu redor, erguia-se um panorama lindo, cheio de árvores altas e floridas, algumas até mesmo com pequenos frutos verdes e vermelhos. E exatamente atrás dele se punha um sol belo, daqueles nos quais os poetas sonham em ver se por para poderem terem o mínimo de inspiração. Um sol lindo alaranjado, que iluminava os céus ao seu redor (enquanto ainda possuía forças para tanto) antes de se por. E na sua frente, bem na linha do horizonte, o céu se escurecia em um azul quase preto, sinal de que a noite vinha logo a sua frente marcando o seu caminho. E a tudo isso ele via sem parecer muito se importar. Ele sentia cansaço, fome e sede. Coisas que infelizmente fazem você esquecer um pouco de admirar o que acontece ao seu redor. Dadivas lhe eram entregues e ele mesmo não conseguia mais as enxergar.
Enquanto caminhava, o jovem homem não ligava muito para comida, sol, céu, beleza ou seu cansaço. Mas ligava e muito para agua. Pois dela, era aquilo que sentia mais falta. Mas mesmo isso, não era aquilo em que ele pensava. E ele não diria a ninguém, nem mesmo a essas palavras aqui escritas, o que ele pensava. Pois quando se é alguém que viaja sozinho a muito tempo, se aprende que certas coisas são valiosas demais para ficar se desperdiçando. Para esse homem eram seus pensamentos e memórias seus maiores tesouros.
E como ele não diria a ninguém (nem a quem escreve essas palavras) seus segredos, infelizmente a descrição desse estranho jovem homem ficará incompleta por aqui. É uma pena, mas certas coisas simplesmente são assim.
Enquanto caminhava para seu destino ainda não revelado, de olhar cabisbaixo, com fome, sede, e cansaço, ele acabou por avistar um pequeno brilho ao lado da ferrovia, vários metros a sua frente. Visível apenas por causa do reflexo gerado no objeto pelo sol naquela exata posição e naquele exato horário em que havia alguém para avistá-lo. O homem teve um forte sobressalto, e apesar de seus pesares, correu aqueles metros de distância entre ele e seja lá o que fosse que tivesse visto. Enquanto chegava perto, com suas mãos lisas e pequenas tirou a mochila cilíndrica de suas costas e a soltou no chão, em meio a terra e frutas caídas. Com mais dois passos, caiu de joelhos no chão, sujando sua calça jeans puída. E com seus olhos castanhos escuros avistou o que queria em meio a grama úmida. Cavou, pois o que queria parecia estar parte enterrado em meio a terra. Com seus braços ergueu o revólver.
Um revólver velho, de uma marca que não mais era feita, com tambores vazios e de um metal enferrujado. Com um sorriso grande no rosto, ele soube que havia chegado onde queria.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Dê sua criticas e sugestões